Funk Ostentação & a Carroça

Estava eu, mais uma vez em uma de minhas travessias intermunicipais, aguardando o transporte coletivo.

Quando escuto um som alto se aproximando, um ‘tcha tcha tchu tchu tcha!” ininterrupto ao longe, acompanhado de um áudio bem questionável. Nada incomum, afinal o funk é o atual ritmo das ruas.

O som se aproximava lentamente, quando que por curiosidade me virei para ver o emissor do som, que trazia consigo o device de qualidade duvidosa pois alguns chiados que não faziam parte das batidas eram notórios.

Assim que a cena se formou em minha frente, mesmo que em um instante fiquei surpreso e confuso. Era uma cena distópica uma realidade imprecisa:

Um rapaz jovem em uma carroça, de óculos escuros atiçando um cavalo que visivelmente já não estava no auge de sua forma, assim como a carroça com remendos e cordas.

Toda a simplicidade visual contrastava de maneira gritante com a letra, que por sua vez devia ser cantada por um milhares de MC’s do Brasil, que declamava versos cheio de bravatas sobre como ele era invejado por suas roupas, seu estilo, seus carros e suas mulheres.

O rapaz cantarolava as letras e passou lentamente em frente a mim, e aos demais que aguardavam o coletivo. A cena que me surpreendeu, ficou como um retrato na minha mente, tanto que dedico esse espaço para escrever sobre. Entretanto nada parece ter sido para os demais sujeitos.

Talvez isso não seja um choque para a maioria das pessoas já acostumadas a ver e não enxergar, ou talvez seja eu, que esteja vendo e enxergando em demasia.


Rafael Souza | Publicitário
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